sábado, 27 de dezembro de 2014

Hora da Faxina: Ruídos e Burburinhos



Ruídos, Burburinhos

   É incrível como a natureza fornece ruídos para nós de onde tiramos prazer. Sim, aos nossos ouvidos não são só melodias e canções que nos dão prazer, aconchego, sabor, recordações, enfim, um mar de sensações diferenciadas para cada tipo. O mesmo acontece com o ruído. Ruído pelo seu próprio nome já parece algo ruim. Não sei por que, mas o nome me soa áspero, difícil de digerir. E se a gente for ver a origem do termo, ruído vem do latim e significa rugido, ou seja o barulho que um animal faz quando está brabo, com fome, ou acuado. Um ruído mais leve seria rumor. Algo tipo como burburinho, algo provocado por aglomerações de pessoas ou animais.
   Um burburinho também pode ser muito agradável. Por exemplo, de manhã cedo quando acordo e ouço o burburinho da imensidade de passarinhos dando boas-vindas à natureza, ao dia, ao sol, é algo que soa bem aos ouvidos. Alegra o começo do dia e faz pensar o quanto estes bichinhos irão lutar durante o dia para terem seu alimento, sua água, enfim, sobreviver, para no dia seguinte iniciarem com a mesma cantoria e o ciclo recomeçar. 
   Também o burburinho de crianças na hora do recreio numa creche, como tem uma aqui perto, desperta dentro de mim aquela sensação da continuidade da vida, da sequência de gerações, afinal, ali estão vidas que chegaram há pouco no meio de nós e já estão manifestando sua energia, sua intensidade no relacionamento com outros serzinhos de sua idade, formando um rumor muito agradável de ouvir. Burburinho de crianças é elixir de longevidade. Eu me sinto remoçado ouvindo elas e sentindo o quanto de vida e caminhar tem pela frente, assim como eu um dia fui criança e caminhei até onde hoje cheguei.
   Mas, eu estava falando de ruídos antes. Voltando ao tema, você já pensou sobre ruídos prazerosos? Têm muitos. Alguns não vou citar porque certamente há menores lendo este texto, mas os adultos que me acompanham já sacaram sobre o que estou falando e que dentre estes ruídos muitos intensificam todo o acontecimento em si. Que este acontecimento no silêncio não teria a menor graça. A natureza nos privilegiou com muitos ruídos gostosos. E para mim o mais aconchegante é o ruído do mar. Não existe remédio mais calmante do que ouvir o mar. Claro, se puder vê-lo e ouví-lo ao mesmo tempo, melhor ainda. O mar tem um ruído específico. E a ciência explica: o ruído do mar vem daquelas milhares de bolhinhas que se formam nas brumas das ondas, aquele branco que fica por cima delas. estourando enquanto a onda caminha. É impossível recriar este efeito porque ele precisa de imensidão para gerar o ruído final que se ouve. Então é uma mistura de fervilhar com movimento e finalizar de uma situação que este ruído do mar proporciona. Até hoje não ouvi ninguém dizer que odeia o ruído, o barulho do mar.
   E há o ruído da chuva caindo. Mais um calmante especial que convida ao descanso. Nada é mais gostoso do que ir dormir ou acordar com aquela chuva calma caindo lá fora formando seus caminhos de gotas, depois corredeirinhas, seguindo até as partes mais baixas do terreno e indo embora. A chuva tem um efeito sedativo, calmante, zen. Quem já não teve vontade de voltar a cochilar quando, ao acordar de manhã ouviu aquela chuvinha gostosa tamborilando pelas quebradas do pátio?
   Ruído, sinfonia dissonante que tanto bem faz aos ouvidos.
   

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Um Ano e três Meses sem Bere. Viúvo



Um ano e três meses sem Bere. Viúvo.

   Pois está aí uma data que sempre irá coincidir: a véspera do Natal e a contagem do tempo da falta de Bere em minha vida. Somente são datas, mas que marcaram e não tem como não lembrar. Há 15 meses Bere se despediu na véspera, pois no dia da derradeira viagem para a eternidade não falou mais. Na véspera, ela ficou longamente sentada no vaso não dizendo nada e olhando o nada. Ela quis minha companhia e fiquei com ela neste tempo todo, neste seu limbo, mas eu estava preocupado. Ela nunca havia me pedido para ficar com ela no banheiro. Parecia acuada, cercada pelo seu mundo, desconhecido para mim. E ficou mais de uma hora assim. Eu ansioso, sentindo algo diferente no ar, custei a tirá-la de lá. Depois de muito carinho e conversa consegui convencê-la a sair dali para voltar à cama. Era passado da meia noite. Então, na passagem pela porta que liga o banheiro ao quarto ela parou. Se escorou na moldura da porta enquanto segurava firmemente minhas mãos que a traziam de volta e como num lampejo de memória me olhou e disse baixinho: "Lavar as mãos." 
   Ela nem tinha se tocado, eu a havia despido e sentado no vaso e depois ao tirar, limpado. Levei-a de volta para o banheiro e ela lavou longamente as mãos deixando a água escorrer, esfregando com a pouca força que tinha a espuma do sabonete. Foi mais um tempo ali, como se ela quisesse tirar algo que a perturbava. Eu ajudei a enxaguar, peguei a toalha e sequei suas mãos, vi suas unhas por fazer algo que não era comum nela, e a trouxe de volta para a cama, ajeitando-a confortavelmente para que a noite fosse tranquila.
   Apesar de ela me dar a impressão de meio anestesiada ela parecia bem. Quando a cobri com o edredom, fui para beijá-la, mas parei no meio do caminho porque ela abriu os olhos e seus lindos olhos negros me encararam com a sua alma. E nos fitamos. Longamente. Foi a última vez. Tive a impressão de que naquele olhar que me estudava, ela fez uma retrospectiva inteira de nossa vida em comum, o que durou pelo menos uns dez minutos sem falarmos nada, somente a química do olhar e no fim, apertou os olhinhos como se estivesse dizendo que o show terminou, cerrando a cortina do palco da vida. Fui, rocei meus lábios com os seus, ela revidou suavemente. Então eu disse: "Dorme bem amor! Eu te amo!" - E ela abriu os olhos pela metade e respondeu num sopro, bem baixinho: "Eu te amo!" - Foi a última coisa que falou.
   Na véspera do Natal do ano passado eu estava literalmente sem noção. Não sabia como reagir, como sentir, como encontrar com a família de Bere pois a ceia estava programada na casa do cunhado. Não sabia me achar, estava perdido, acuado, afinal faziam apenas três meses e eu ainda tinha o toque de pele de Bere em meus sentimentos. Para todo o lado que olhava via algo de Bere e meus olhos já marejavam, pois o vazio que sentia estava me sucumbindo. Todo o pensamento que tinha me remetia aos presentes que Bere não daria, onde boa parte já estava comprada, aos abraços que não daria, ao beijo de amor que não receberia, ao olhar faceiro dela ao ver minha reação depois de abrir o presente recebido dela, às palavras doces da felicidade em ter a família reunida e isto gerava um vazio maior ainda, sem tamanho em mim.
   Foi então, que através do chat do facebook, uma pessoa de luz me chamou. Do nada. Parece que até pressentiu meu momento, minha necessidade de falar com alguém, de eu botar pra fora minhas aflições. Conversas intermináveis, onde choramos juntos, mas logo em seguida, onde as palavras de conforto encontraram em meu ser a força e a vontade de não chorar na comemoração do primeiro natal em família sem a companhia de Bere. E não chorei. Chorei antes, muito, incontrolavelmente, de tardezinha, quando fui levar um buquê de rosas para ela no cemitério, exatamente do mesmo jeito como vou fazer hoje. Ela ganhou rosas. Amava ganhar rosas. Mas deixei meu choro lá, no cemitério.
   E logo depois que publiquei meu texto de saudades na época, onde mais pessoas reforçaram sua intenção em me amparar neste mesmo chat. Nasceram amizades novas, nasceram laços de ternura que agora vão completar um ano, e me questiono ao quanto um ser humano pode se apegar a relações de solidariedade, de ajuda, de parceria. E chego à conclusão de que este é um dos sentidos da vida. Pessoas entram em nossas vidas para somar o que tivemos subtraído sem questionarem esta matemática. Somente querem nos ver felizes. E destas somas surgem laços de família inexplicáveis, onde gerações se encontram, onde objetivos se concretizam e onde pessoas do bem vivem um mundo de verdades, que nasceu justamente num momento de dúvidas e angústias.
   Hoje chego à conclusão de que teve a mão de Bere neste momento de maior sensibilidade. Ela em seu plano deve ter sofrido com meu mundo sem rumo que estava me sufocando. E achou um meio de me confortar, uma solução. Como sempre foi o jeito dela de ser.
   Comigo foi assim. E graças a este apego para amainar minha dor, a dor da perda, em encontros e palavras positivas com pessoas até então desconhecidas, posso neste natal comemorar o primeiro aninho de relacionamentos de muita amizade, de ternura, de parceria e entendimento, onde o que impera, o mais importante, é o bem estar de quem gostamos. Feliz Natal!

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   O presente de Natal que Bere ganhou este ano: Buquê com 1 rosas amarelas pelos dois anos de namoro, 31 rosas vermelhas pelo 31 anos de casados e uma rosa branca, por ter partido há mais de um ano.





quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Culinária: Torta Salgada de Biscoito (Bolacha) integral




    Então vieram as festas  de fim de ano e você vai receber visita. Gostaria de fazer diferente e não comprar aquele peru, aqueles risoles, aquela torta salgada da padaria? Aqui o passo a passo para você montar uma torta de biscoito integral, todos podem comer e vai ser muito elogiada. O custo final dela não é dos mais baixos, no dinheiro do natal de 2014 fica em  torno de 40 Reais. Mas rende em torno de 30 fatias.


TORTA DE BISCOITO INTEGRAL


INGREDIENTES:
Para o frango:
2 peitos de frango (1 kg desossado e sem pele)
1 cebola grande
1 tomate sem pele (descasque em tira e reserve a pele para fazer uma rosa)
4 dentes de alho
1 colher de molho shoyo
1/4 de xícara de óleo
350 g de palmito de palmeira real  ou açaí da Hemmer(um vidro)
100 g de champignon
sal e pimenta a gosto.




PREPARO NA VÉSPERA:
Pique o frango em cubinhos e reserve. Pique a cebola miudinho e coloque em panela com o óleo em fogo alto.




Deixe ela sozinho cozinhando até secar e  começar a fritar.




Acrescente o frango e o tomate e coloque água até cobrir. Deixe cozinhar até secar, a cebola e pegar cor. Coloque mais 




uma vez água até cobrir. Acrescente o molho shoyo, sal, pimenta e o alho. Deixe cozinhando até quase secar, deixando 








molhadinho.

Retire do fogo e com martelo de bife  ou socador de  feijão triture na própria panela batendo o frango até virar 





desfiado. 

INGREDIENTES PARA A TORTA:
1 pacote 400 g de biscoito salgado integral (eu uso Parati)
1 pote e meio de maionese (total 750 g) (eu uso Primor)
1 sachê de sazon amarelo ou meio caldo de galinha

PREPARO:
Primeiro dilua um sachê de sazon amarelo ou meio caldo de galinha em meio litro de água quente. Deixe esfriar.
Misturar um pote de maionese ao frango, o palmito e os champignos fatiados, fazendo uma massa homogênea. Ela não deve 

ficar pastosa, deve ficar da textura da maionese. Reserve o outro meio pote para a cobertura. Numa fôrma faça uma 




camada fina do frango. Passe cada biscoito no caldo de galinha ou sazon e vá colocando lado a lado até cobrir a camada de frango. 




Coloque outra camada da massa de frango, outra de biscoitos e vá montando a torta. Geralmente sobram de 3 a cinco biscoitos do pacote inteiro.





A última camada deve ser de biscoitos.
DICA: Se caso seu molho ficou mais salgado do que esperava, não passe os biscoitos em caldo de galinha. Monte a torta com eles secos mesmo. Fica mais crocante, mas o sabor não é o mesmo. Ou caso queira, pode também passar só na água.




INGREDIENTES PARA A COBERTURA:
100 g de apresuntado fantasia
100 g de queijo lanche fatiado
um lado de pimentão vermelho
A casca de um tomate pequeno
meio maço de salsa e cebolinha
100 g de palmito de palmeira real picado miudinho
100 g de frutas cristalizadas
100 g de uva passa

PREPARO: 
Pique todos os ingredientes bem miúdo e misture. Cubra a torta com meio pote de maionese do inteiro que reservou e 




polvilhe o picles por cima até a metade. A outra metade cubra com a uva passa e frutas cristalizadas. 



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Hora da Faxina - Kerb de Harmonia



Kerb de Harmonia

   Antigamente na colônia alemã o Kerb era um dos mais importantes eventos para a família devido à intensidade deste acontecimento. Mas o que é Kerb? Traduzindo literalmente para o português significa "cestos". Ou seja, é uma forma figurada de significar fartura, pois antigamente os colonos juntavam sua colheita em cestos para transportar até a carroça ou até o paiol onde armazenavam esta produção.
   Juntamente com o padroeiro, em sua comemoração, se fazia o Kerb, ou seja, uma festa com todos os parentes que vinham de longe para comemorar com a família em Kerb a fartura da colheita daquele ano. E era uma loucura a fartura de comidas e as comilanças que duravam três dias, de sábado até segunda, quando então na terça os parentes iam embora.
   Na vizinha cidade de Harmonia, onde nasci e vivi minha infância não era diferente. Apesar de o pai ser o contador da Cooperativa, ele respeitava a data e fazia a festa do Kerb mesmo não sendo colono, pois vinham parentes até da Argentina para comemorar conosco. Haviam enormes dificuldades para armazenar a comida pois não se tinha geladeira, e alimentar um monte de gente com três refeições diárias durante três dias era uma tarefa gigante. A carne era conservada no meio da banha em latões de 20 quilos. Assim, na hora de fazer ela ainda estava em perfeitas condições de uso. Fora as galinhas que eram sacrificadas antes de cada almoço ou jantar para completar o cardápio. Batata inglesa e aipim era enterrado dentro de uma caixa de areia seca, abrigada, também para se conservarem. Assim se viravam.
   No evento também eram consumidos cerveja e refrigerantes, que eram resfriados dentro do tanque que ficava na área nos fundos de casa, do lado da cozinha, pois a água que saía da fonte que jorrava eternamente ali, era fresquinha deixando a temperatura da bebida mais agradável. 
   De noite para dormir era um sufoco: juntavam todas as mulheres em um ambiente, os homens em outro as meninas em um terceiro, e os meninos em um quarto ambiente. Tudo funcionava assim, simples e prático. Mas, meus irmãos e eu sempre tínhamos receio daquele primo da Argentina que tinha incontinência urinária e mijava toda noite na cama. E tínhamos que dormir com ele.
   O Kerb em Harmonia sempre é no segundo fim de semana de Maio. E, com o passar dos anos a festa da família no Kerb começou a decair pois muitos deixaram de trabalhar a terra. Então o evento ficou marcado com bailes nas três noites. E tradicionalmente a Sociedade de Harmonia faz seu baile de Kerb regado a chopp na segunda de noite. 
   Há muitos anos nós íamos, eu e Bere. Num destes bailes, ao sairmos para vir embora lá pelas três da manhã, estava uma garoa leve, meio fresquinho. Nós havíamos deixado o Passat 74 estacionado longe do salão, logo depois de um arroio que atravessa o centro de Harmonia. Vínhamos voltando de mãos dadas, e quando chegamos perto do arroio, no outro lado tinha um rapaz parado, cambaleando, fazendo pipi dentro do arroio. Bem ali tinha uma luminária. Bere ainda comentou comigo: "Homem é bicho mesmo, faz pipi em qualquer lugar!" Nisto ouvimos um grito e o rapaz caiu para dentro do arroio. 
   O que fazer? Claro, não íamos deixar ele se afogar, o arroio estava alto e com correnteza. Dali onde ele havia caído dava mais de dois metros de altura. E já o rapaz gritou por socorro. 
   Bere disse para eu ir lá ajudar o cara a sair do arroio enquanto ela iria chamar a brigada.
   Eu fui, desci o barranco íngreme e alto e fui atrás do rapaz que aquela altura já tinha sido levado uns dez metros arroio abaixo. Quando cheguei perto, estiquei o braço e ele agarrou firme. Eu disse para me dar o outro também e ele disse chorando que estava com muita dor, que havia quebrado o braço na queda. Viemos caminhando contra a correnteza até perto da pontezinha e antes de subir, vi que ele ainda não havia recolhido o pinto. Disse a ele para fazê-lo enquanto eu o segurei pelos ombros. Depois, escalei aquele barranco barrento me segurando nas poucas coisas que tinha para segurar e puxei ele para cima. Quando já estávamos quase saindo do arroio chegou a brigada e eles ajudaram a sairmos dali.
   Colocaram-no na viatura e o trouxeram para o hospital do Caí. E eu fui até o carro onde Bere me esperava. Eu estava irreconhecível, parecendo ter tomado um banho de lama. Mas salvei o cara.
   Quando cheguei em casa, um banho demorado enquanto Bere preparou um lanchinho para nós e enquanto comíamos rimos tanto deste fato inusitado que chegou a doer a barriga.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Hora da Faxina: Atendimento Preferencial



 Atendimento Preferencial

   No meu modo de pensar, uma das medidas mais solidárias que já foram criadas, é o atendimento preferencial a pessoas em setores onde geralmente filas acontecem. Seja no embarque nos aeroportos, nos caixas dos supermercados, nas entradas de teatro, cinema, shows, seja nos bancos. É completamente justo que uma senhora ou um senhor com criança de colo mereça ser atendido antes porque além do peso da criança em si, muitas vezes ficam irriquietas por estarem aguardando, geralmente no mesmo lugar.
   Ou então, aquela pessoa com uma deficiência física, que tem dificuldades de locomoção, ou mesmo sente dor ao permanecer muito tempo na espera. Assim como os idosos, que com o peso da idade podem se beneficiar com o atendimento preferencial, aliviando suas dores, para serem atendidos dignamente, sem muito ter que esperar. 
   Mas, eu acredito que neste quesito, principalmente idade, tem muito a ser considerado. Existem idosos e 'idosos', convivendo lado a lado com um limite que nossa lei estipulou em sessenta anos.
   Então entra o jeitinho brasileiro. Pessoas 'beneficiadas' pelo destino na aparência lhes conferindo mais idade do que parecem ter, simplesmente entram em filas preferenciais sem terem atingido ainda esta idade. E como todo bom brasileiro, sentem orgulho em burlarem este preceito que visa ser tão humano. Ocorre que muitas vezes as filas preferenciais incham tanto, que o banco ou o supermercado se obriga a aumentar os atendimentos em detrimento dos que não são idosos, para cumprir a lei.
   Pior ainda, são os office-old. Um biscate que apareceu um tempo atrás, onde mediante comissão, pessoas com mais de sessenta anos pagam contas de usuários, fazem transações bancárias, usando a fila preferencial. Nada contra os velhinhos melhorarem sua famigerada aposentadoria com um ganho extra. Mas precisa ser usando o jeitinho brasileiro, passando na frente dos usuários comuns porque tem mais de 60 anos? 
   Algumas vezes assisti a este tipo de atividade por conhecer as pessoas envolvidas e pela quantidade de papéis e afins que portavam para destrinchar no caixa. Então ocupam o atendimento mais de quinze minutos porque tem papelama de mais de 5 clientes e usuários. Um negócio lucrativo para o velhinho e chateante para quem assiste a este descalabro, impotente, já que não existe lei que proíba velhinhos pagarem contas de terceiros. Putz!!! Para mim é uma desconsideração inversa, do mesmo jeito como se eu fosse estacionar numa vaga para idoso ou deficiente. 
   Também acho que nestas filas preferenciais, quem as ocupa, deveria fazer uma autoavaliação sobre a necessidade ou não de ocupar esta fila. Digo isto porque durante estes dias aconteceram dois fatos no banco, enquanto eu aguardava ser atendido. Primeiro, uma jovem senhora estava na fila preferencial. Quando foi chamada, uma senhora ficou indignada e perguntou:
   - Por que entrou na fila preferencial, moça?
   - Porque estou grávida. - Respondeu ela. A senhora continuou:
   - De quantos meses?
   - Quatro semanas. Descobrimos ontem. - Respondeu ela com um sorriso largo no rosto. A indignação ao meu redor foi geral pela atitude da moça.
   Outro dia, estava eu esperando já há mais de 20 minutos minha vez no banco. O caixa preferencial estava bombando. A cada cliente normal, três velhinhos eram atendidos. Haja paciência. Mas, lei é lei. E, mais uma vez ao meu modo de ver, o bom senso não imperou. Chegou junto de nós uma senhora bombada, fita anti-suor amarrada no cabelo, blusinha da adidas branca onde embaixo se via um bustiê remador, daqueles de fazer ginástica e uma legging branca bem apertada, emoldurando todas as suas curvas saradas e bombadas. E por ser branca, já que ela estava usando calcinha verde água também se via o fio dental moderninho, com um desenho de coração dourado no triângulo acima do fio. Ela, impaciente, trocava de pé toda hora. Até que, pasmem, chamaram a próxima pessoa da fila preferencial e era ela!!!!! Todo mundo ficou se entreolhando, até que um senhor falou: 
   - Conheço ela, ela tem mais de 60 anos.
   Putz, mas saradona deste jeito precisa entrar na fila preferencial só porque tem idade?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Hora da Faxina: Saia Justa




Saia Justa

   Sempre fui carudo. Do tipo de tomar a frente em ações inusitadas que ninguém tinha coragem de fazer pelo simples fato de ficar exposto. A exposição nua e crua das pessoas diante de outras pessoas as deixam inibidas e então travam. Por este motivo, tem inúmeras pessoas com um potencial enorme para desenvolver um sem número de atividades que as deixaria muito felizes e mais realizadas, mas acabam travando justamente no fato de este tipo de atividade colocá-los diante de pessoas ou situações, o que lhes deixaria muito difícil de lidar por causa da inibição.
   Uma pessoa inibida muitas vezes pode ter mais competência em determinado setor que almeja como emprego, preterido por alguém que não tem a mesma capacidade, mas que por demonstrar-se descontraído, 'em casa' como se costuma dizer. Pessoas travadas não conseguem convencer intensamente seus interlocutores, mesmo mostrando um currículo impecável. 
   Por isto é bom estimular nossos filhos desde pequenos a saberem se sair bem num palco, num grupinho de crianças onde possam se sobressair, numa apresentação da escola, na liderança de um jogo ou uma gincana, enfim, nas diversas maneiras que ajudam a criar autoconfiança e com isto automaticamente aprendem a dominar a inibição. Elas crescerão menos ansiosas, mais sociáveis e com muito mais chance de se darem bem na vida.
   Mas, mesmo sendo criado desta maneira, como eu e meus irmãos fomos, há os momentos na vida onde nenhuma prática se aplica a uma situação inusitada. A famosa saia justa. E foi isto que me aconteceu tempos atrás quando fui fazer um depósito para uma empresa no atendimento automático de um banco de nossa cidade. 
   Entrei na fila do caixa de autoatendimento já com o envelope preencido e o dinheiro dentro dele. Havia alguém na minha frente usando a máquina e no recinto se encontravam diversas pessoas. Atrás de mim se posicionou um casal conhecido meu. Nos cumprimentamos e cada um ficou na sua posição esperando a vez de usar o caixa. De repente ouvi o marido cochichando para sua esposa, num tom de voz numa altura proposital para eu ouvir: 
   - Vai, fulana, diz agora para o Pio o que falaste no domingo de manhã durante o programa de rádio dele lá em casa!
   Notei que ela ficou sem jeito pois começou a se remexer, respondendo num tom baixo, mas também audível: 
   - Fulano, aquilo foi brincadeira! Não é hora para tocar neste assunto.
   Eu fiquei acompanhando tudo com a orelha de pé. Ele, o marido então me cutucou. Virei para trás, ao que ele falou para a esposa dele: 
   - Tá aí, bem pertinho. Agora pede para o Pio te falar com a voz sexi dele palavras sensuais em teu ouvido, pede!
   A esposa dele, sem jeito, completamente deslocada, disse para mim:
   - Não repara, meu marido as vezes tem dessas boburas.
   Eu, sem saber como agir fiquei assim parado olhando os dois, anestesiado, enquanto o marido ria solto. Eu e a esposa dele, sérios, deslocados, ela roxa de vergonha. Foi daí que ele disparou:
   - Pio, pode falar palavrinhas sensuais no ouvido dela, eu já deixei de fazer isso há muito tempo.
   E desatou a rir de novo. A esposa dele baixou a cabeça, se virou e foi para a rua. Ele ficou na fila como se nada tivesse acontecido, dizendo:
   - Mas que ela falou, falou!
   Nisso o caixa liberou para mim. 
   Esta foi a legítima cena do tipo de desarmar até os mais preparados.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Hora da Faxina - Acomodados




 Acomodados

   Talvez uma das maneiras mais comuns na vida das pessoas, por elas serem o que são ou por terem o que tem, simplesmente são culpa da acomodação. É incrível ver tantas pessoas estagnadas, travadas, desestimuladas, porque não tomam iniciativas em sua vida, seu trabalho, seu relacionamento.
   No relacionamento, uma acomodação pode ser perigosa. Por que? Porque geralmente limita a pessoa acomodada, a deixando infeliz, sem estímulo, atada a uma rotina que não mais satisfaz por não trazer novidades e por fazer com que tudo isto machuque já que nem mais atura a companhia, e esta situação não faz bem. Acomodar-se por conveniência, para 'não prejudicar os filhos', ou porque tem parte no patrimônio que ajudou a levantar com o 'suor do seu rosto', ou porque assim está bom, 'tem como manter-se financeiramente', ou então, para não ter que ficar ouvindo o que os outros vão falar, é tão grave e deprimente que dá pra classificar como uma doença de alma. Então machuca o organismo e a harmonia de pensamentos porque a alma está doente. E sair deste processo sempre exige decisões drásticas, tirando da acomodação e fazendo agir. O resultado é imediato, a alma cura na hora, libertando a corpo e a mente.
   No dia-a-dia, muito se lê e se ouve falar em dar o primeiro passo, em 'peitar', em entrar no ritmo das coisas novas que o mundo moderno oferece se reciclando e entrando num patamar mais alto profissionalmente, ou que seja só pela satisfação de evoluir com a tecnologia e assim saber que está ainda inserido no mundo que a cada minuto se recicla. Porque envelhecer falando só no passado vai espantar muitos que talvez quisessem discutir atualidades, principalmente novos recursos tecnológicos. Muitas vezes em encontros acaba falando sozinho.
   Profissionalmente, por acomodação, muitas pessoas passam a vida inteira fazendo o que não gostam por não terem vontade ou coragem de entrar em novo ramo de atividades, que fosse fechar com o que sempre desejou fazer. E tem muitas explicações para isso, mas o maior fator mesmo é por que estão acomodados em sua profissão que está pagando suas contas e ajudando a realizar alguns sonhos. Até podem ter momentos de felicidade no meio desta jornada, porque realizar sonhos sempre traz grandes satisfações. Só que assim que passou o momento, já vem de novo o sonho que martela o ano inteiro: as férias.
   Acomodar-se pode deixar a vida mais tranquila. Mas torna seu dia mais improdutivo e seu sono mais tumultuado por nunca se sentir com a missão realmente cumprida. Sempre vai faltar aquele momento em que pensaria: "Nossa, como amei fazer e terminar isso!"
     
  

  

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Uma ano e dois meses sem Bere, Viúvo



Um ano e dois meses sem Bere, viúvo.


   Hoje fazem catorze meses que Bere foi levada de mim para outro plano. Talvez muitos que passem pela mesma situação já, depois de tanto tempo, estejam aptos a entrar numa nova era, refazer suas vidas, sua rotina, seu mundo, enfim, redefinir seus dias em outro patamar. Que bom! Quisera isso fosse comigo também. Mas não é, não consigo. A rotina em si se refêz e consigo conciliar minhas tarefas normalmente. Mas, ainda estou muito ligado a ela emocionalmente e isto me gera limitações. Nosso amor incondicional que em vida não mediu esforços, nos mantém ligados.
   Bere e eu éramos um todo, uma simbiose difícil de explicar. Algo como o tempero certo no prato certo na medida certa. Quando ela partiu, eu não perdi minha cara metade, mas, perdi metade de mim. O que é bem diferente. Metade de mim é como deixar metade do meu ser inerte, sem conseguir mais reagir, comprometendo meu resto. E foi deste jeito que me senti durante ao menos os 4 primeiros meses após sua partida, até aos poucos, na medida do possível me sentir de novo como um todo. Nada mais interessava: se tivesse ou não mil reais, paciência, era um troco que não fazia falta. Se a comida era saudável ou não, que diferença fazia? Afinal, uma morte besta sem aviso prévio ceifou ela apesar de todos os cuidados que mantinha com sua alimentação e sua saúde. Compromissos? Só os realmente imprescindíveis. Festas? Somente para fazer a participação social, pois sem Bere, qual seria o sabor da festa? De água. Somente isso, insossa, inodora, incolor. Então, já por diversas vezes alguns disseram: "Mas na festa pode encontrar alguém especial, que pode fazer a diferença, quem sabe, mexer com teus sentimentos, algo novo!" - Lógico, pode fazer a diferença: e eu me sentir não a vontade pelo assédio, como já aconteceu, e sair antes da festa por me achar completamente deslocado no contexto. E, que pena, a mulher maravilhosa, coitada, de conversa bacana, lindo olhar, doce companhia, ficar ali, achando que tinha me feito mal. O mal é que tudo para mim, apesar dos quatorze meses ainda está recente. Um ano e dois meses é pouco. Ainda me sinto traindo Bere. Não dá pra explicar, mas em meu íntimo sinto isto. E isto me machuca pois jamais pensaria em sequer trair Bere em pensamento, quem dirá em ação.
  Bere e eu nos amávamos tanto que eu me tornei dependente dela e ela se tornou minha dependente. Não fazíamos mais nada sem a anuência do outro. Uma soma de situações que mostravam que amar é acima de tudo, colocar lado a lado divergências para se tornarem simbioses que acabavam sendo somas. E eu, melhor nós, nos amamos demais. Bere era o tipo de pessoa que só de seu olhar já se extraia amor. Imagina comigo, que fui sua grande e única paixão, o quanto de amor em seu olhar ela mostrava, e o quanto de amor vivemos! São marcas indeléveis, que ficam guardadas, mas que vez ou outra afloram à revelia. E bate a saudade. E choro. Lembrar acontecimentos de um amor maior é muito mais doído do que lembrar a rotina que vivemos. Por isso a emoção tão forte. E não existe um 'apagador de sentimentos', um 'feeling cleaner.' Existe a depuração lenta, que o tempo e a distância se encarregam em fazer, para deixar de sermos tão ligados. O processo é lento. Mas estou nele e tenho certeza de que um dia voltarei a olhar mais para fora do meu mundo do que para dentro dele, deixando a presença de Bere como uma memória gostosa de sentir, pois ela só me fez bem, ela só somou. E, quem sabe, vou voltar a gostar de festas e de seus assédios inevitáveis.
   

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Hora da Faxina: Aparência



Aparência

   Eis aqui um tema onde fica muito difícil dar pitaco na vida dos outros, afinal, cada um se mostra do jeito que se acha mais charmoso. Mas, o que é melhor: se fazer charmoso, estar charmoso, ou se sentir charmoso? Partindo deste princípio, acho que o melhor é se sentir charmoso. Por que? Explico!
   Se fazer charmoso é cultivar diversos cuidados sobre sua aparência para  tentar de alguma forma impressionar. Nem que seja somente para impressionar alguém. Geralmente quem se faz charmoso perde uma boa parte de seu tempo em cuidados pessoais exagerados para tentar trazer o máximo de sua aparência para quem quer se mostrar. Seria o 'photoshop' da vida real.
   Tem pessoas que acordam horas antes somente para em todas as manhãs voltar a 'esculpir' todos os detalhes como sobrancelhas, bigodes, cavanhaques, maquiagem, cabelo, enfim, um processo diário para recompor este lado de se fazer charmoso e impressionar. Uma amiga minha levava todos os dias quinze minutos maquiando uma pinta na bochecha para escondê-la, até que um dia resolveu tirar. Mas, para causar uma impressão de charme não importa o tempo usado para este fim. A pessoa só se sentirá segura depois de passar por todo este processo diário.
   Continuando, quero agora falar sobre estar charmoso. Bom, este é o tipo de sensação que os outros cultivam em relação a gente. Estar charmoso quer dizer que fecha com a ocasião, com o evento, enfim, que tem uma posição bem especial no âmbito geral, pois todos vêem que a pessoa tem algo que chama a atenção. Muitas vezes são seus trejeitos, suas atitudes, seu comportamento, a forma como ri, como fala, como se comporta. Uma pessoa que está charmosa, talvez até tenha cuidados especiais como o que se faz charmoso, mas diferente do primeiro, eles têm uma forma de cativar sem precisar apelar para a aparência.
   Finalmente, o que é 'se sentir charmoso'?
   Se sentir charmoso é ter receptividade, atenção, carinho, simpatia e o respeito das pessoas. Independentemente da aparência, condição social ou meio em que vive. Se sentir charmoso é ser o polo das atenções em momentos onde muitas vezes nem espera. Porque este é um dom pessoal, ele não é criado. Ele vem de dentro da pessoa que aprende a cultivá-lo e a partir dali contagia quem se aproxima pela sua forma humilde de se apresentar, mas ao mesmo tempo a polarização magnética que exerce por sua índole, seu comportamento, sua sinceridade. Se sentir charmoso é transbordar de dentro de si como realmente é, indiferentemente de cabelo, sobrancelhas, cavanhaque ou seios.
   Como já se diz desde muito antigamente: A aparência pode estar escondendo a realidade. Ou, como minha avó nos ensinou desde pequenos: "Cuidado com as pessoas que repartem seu cabelo num alinhamento retilíneo impecável. Se têm tempo para isso, pode faltar para coisas mais importantes."

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Culinária: Salada de casca de Bergamota (Mexerica)



   Quando estávamos em plena festa da bergamota aqui em São Sebastião do Caí que é a terra da bergamota, numa conversa entre amigos surgiu a dúvida: será que só dá para fazer pratos doces com a bergamota? 
   Então um dos amigos, que estava tentando adaptar a melhor receita para a cuca de bergamota disse que talvez pudesse substituir o suco de laranja pelo de bergamota no frango. Fiz o teste e ficou horrível o sabor. 
   Numa rodada seguinte, ainda falando sobre fazer prato salgado com bergamota, tive uma ideia: quem sabe a casca da bergamota não dá um prato não doce? Lancei o desafio.
   Como acho a cor da casca da bergamota muito linda, resolvi tentar uma salada. 
   Depois de mais de 10 testes, finalmente o prato ficou perfeito e muito saboroso. Salada de casca de bergamota do tipo Cahy.


  Aqui está a receita:


Salada de Casca de Bergamota com cebola:

Ingredientes:
A casca de uma bergamota Cahy
1 cebola média
vinagre

Preparo:
Corte a bergamota no meio. Retire o miolo. Corte em tiras finas a casca. Em uma panela coloque no fogo com água. Deixe levantar fervura. Dispense a água. Acrescente a cebola cortada em tiras e acrescente água de novo até cobrir. Deixe levantar fervura e dispense novamente a água. Acrescente água até cobrir e ferva durante 15 minutos. Esfrie na água fria e tempere com vinagre. Não use sal para a casca não ficar amarga.
Fica deliciosaaaaaa.

domingo, 16 de novembro de 2014

Culinária: Rocambole de Carne Moída




Rocambole de carne moída:

Ingredientes:
1kg de carne moída primeira
150g de bacon
150g de presunto
150g de queijo muzzarela
1 cebola pequena
1 tomate grande
2 dentes de alho
uma pitada de orégano
Sal e pimenta a gosto

PREPARO:
pique o alho, a cebola e o bacon miudinho e misture com a carne moída. Tempere com sal e pimenta, misture até virar uma massa.
Abra em cima de filme plástico numa superfície.
Cubra esta massa com queijo, depois presunto, depois tomate cortado em rodelas finas, e salpique orégano por cima.
Com cuidado enrole a carne com o recheio com a ajuda do filme plástico. Coloque dentro de uma forma com a emenda (o fim do enrolamento) para baixo e leve em forno pré aquecido 200 graus durante uma hora, ou até o tomate não liberar mais seu suco.
Bom apetite!!!!!






sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Culinária: Coxinhas da Asa de Frango empanados na Maionese e farinha de Pão




Coxinha da asa no forno à milanesa com maionese:

Ingredientes:

18 coxinhas da asa de frango
1 sachê de maionese 250 g
200 g de farinha de pão
1 colher de sopa rasa de colorau
1 cebola pequena
sal, Gril e pimenta do reino branca a gosto.

Preparo:

Lave as coxinhas e escorridas coloque numa bacia. Acrescente o sal, o Gril, a pimenta e o colorau, ainda sem misturar. Pique a cebola bem fininho e acrescente na bacia. Agora, com as duas mãos vá mexendo as sobrecoxas por pelo menos 5 minutos, para agregarem o máximo de tempero em toda a sua extensão. Você verá o ponto quando o colorau não mais mostrar pintinhas, ficando o frango vermelhinho. Acrescente o sachê de maionese (eu uso Lisa ou Oderich) e misture mais uma vez com as duas mãos até a maionese agregar todas as peças uniformemente.

Passe cada sobrecoxa por vez pela farinha de pão e vá colocando em forma seca, sem untar. Coloque em forno pré aquecido a 220º por 45 minutos, ou até estiverem bem douradinhos.

Rende 4 porções quando acompanhado de arroz ou batata no vapor.

DICA: Vá guardando os restos de cacetinhos e pão de sanduíche no freezer. Quando tiver uma quantidade suficiente para fazer sua própria farinha de rosca, retire do freezer e congelado bata com um martelho de bifes ou socador de feijão até virar farelo. Vá peneirando e o que sobrar bata de novo até tudo estar virado em farinha. É prático de fazer e você não desperdiça as sobras. Aliás, a farinha de rosca vendida nas prateleiras do supermercado não presta. Se não tiver condições de fazer em casa, prefira a que é produzida nas próprias padarias.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Hora da Faxina: O Chato




O Chato

   Em todos os lugares sempre existe aquele chato que se destaca pelo seu modo intrometido de se comportar. Sim, não existe chato se não for intrometido. Seja da forma que for, sempre vai meter o bedelho ou a colher onde não foi convidado, deixando muitas vezes as pessoas onde houve a intromissão sem jeito, deslocadas.
   Também existe aquele que fica chato de tanto tocar flauta ou bater boca por um resultado que lhe foi favorável ou desfavorável. Tanto no futebol como na política tem estes chatos que se julgam os reis da cocada e então chateiam de tanto debochar ou querer impor sua convicção. Mas não é destes chatos que quero falar. Quero falar do primeiro, aquele que sabe te deixar realmente possesso da vida pela situação a que te mete. 
   Eles geralmente são os donos da verdade, sabem melhor que ninguém tudo sobre todas as situações ou produtos, ou marcas, e falam como se fossem os detentores de um conhecimento acima do ser humano normal e mortal. O mais estranho é que eles têm sempre tempo para perder para abordar a gente e tentar inculcar em nossa memória suas convicções. São ratos de lojas, supermercados, ferragens, bazares, enfim, onde tem diversos produtos para vender, são o prato cheio para eles praticarem seu bullying informativo a fim de convencer a nós, viventes ignorantes, sobre as vantagens de certos produtos em detrimento de outros.
   Aqui em nossa cidade tinha um que era particularmente um chato ao cubo. Ele chegava a irritar pela sua intromissão em nossas compras, principalmente no supermercado, pois sabia mais e melhor tudo sobre todos os produtos. Quando encontrava esta criatura entre as prateleiras do supermercado eu já desviava para outros corredores para não cruzar por este chato. Mas, inevitavelmente, quando menos esperava, estava ele fungando no cangote e comentando sobre algum produto que havia pego para ler sobre suas propriedades. Ele se metia em tudo:
   - Não compra ovos de casca branca por serem mais baratos porque eles são mais porosos e a salmonela pode atravessar a casca. ...Eu não compraria óleo de milho. Ele vai adoçar sua comida... 
   Ou então dizia:
   - Não compra a batata rosa porque ela precisa de muitos agrotóxicos para se criar. A branca não é tão gostosa mas é mais genérica, portanto não precisa de tantos agrotóxicos. ...Tomate é uma bomba de veneno, não compra. ...Faz favor!!! Comprando espigas de milho??? Sabia que ele é transgênico? Não ouviu falar sobre o perigo dos transgênicos? ...Leva um pé de alho-poró porque ele previne a gripe.
   Putz, comprar assim vai além de uma tortura, já é quase uma lavagem cerebral. Em vez de descontrair comprando tranquilamente o que quer levar para casa, tem o chato a tiracolo dando palpite onde não foi chamado.
   Certo dia, estávamos eu e Bere fazendo compras no Super Cruz, aqui do lado de casa. Iríamos começar a incluir o azeite de oliva em nossas refeições. Então, estávamos nós dois ali, olhando as marcas e suas descrições, para fazer uma decisão a respeito do que seria o mais indicado, quando este mesmo chato chegou e arrancou a garrafa de azeite das mãos de Bere e disse que aquele não era azeite bom porque ele não era prensado a frio. Nós só ficamos olhando. Bere cruzou os braços. E ele arrancou outra garrafa da prateleira e deu para ela dizendo que este era o melhor do mercado. Bere, pegou a garrafa, olhou, em seguida aproximou da cara dele, quase enfiando a garrafa em sua boca e disse com toda a calma que lhe era peculiar nestas situações:
   - Enquanto sou eu quem paga as minhas compras, eu escolho e decido o que quero levar para casa. Entendeu, seu velho chato? Ou quer que eu escreva? ... Sou mais nova que você, mas vou lhe dar um conselho: "Vai pentear tapetes, talvez isto o distraia o bastante para não vir chatear de novo aqui no supermercado!"
   Depois daquele dia nunca mais vi o velho chateando neste supermercado.
   

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Culinária: Pizzanesa (pizza de bife à milanesa)





   Para você que não gosta de massa de pizza, ou prefere algo mais substancioso como carne na hora daquela famosa pizza chegar  à mesa, que tal esta pizzanesa, que ao invés de usar massa de pizza para a base dela, usa bifes à milanesa? 
   É uma receita muito saborosa que vai fazer a festa em sua casa, ou para surpreender num jantar a dois.

                                      


PIZZANESA (PIZZA DE BIFE À MILANESA)

INGREDIENTES PARA OS BIFES:

500 g de coxão mole
2 ovos
100 g de farinha de mandioca
sal e pimenta a gosto
óleo para fritar

Preparo:
Cortar os bifes em porções pequenas e temperar. Bater os ovos com 2 colheres de água até ficarem homogêneos. Passar os bifes no ovo e empanar na farinha de mandioca. Fritar até ficarem dourados. Deixar esfriar.

INGREDIENTES PARA A PIZZANESA:
150 g de biscoito mignon (vovó sentada)
1 sachê de creme de leite 100g
150 g de queijo mussarela fatiado
80 g de queijo cheddar
150 g de linguiça calabresa
1 lata de seleta de legumes 200g
1 tomate rasteiro
2 colheres de extrato de tomate.

MODO DE PREPARAR:
Colocar os bifes num refratário forrando todo o fundo dele. Esmagar grosseiramente os biscoitos mignon e misturar a eles o creme de leite até a massa ficar homogênea. Espalhar esta massa sobre os bifes fazendo uma camada. Colocar sobre esta camada as folhas de queijo mussarela fazendo uma camada. Espalhar o extrato de tomate com uma faca, fazendo uma fina camada sobre todo o queijo.
Esmagar o queijo cheddar com as mãos até ficar grosseiramente esfarelado e espalhar por cima do outro queijo em todo o prato. Picar a calabresa miudinho e espalhar por entre o cheddar. Picar o tomate miudinho e espalhar também sobre todo o prato. Escorrer a lata de seleta de legumes e espalhar por cima de todo o prato. Colocar em forno (não precisa ser preaquecido) por meia hora, ou até ver que a cobertura ficou cozida.
Rende 5 porções.