sábado, 25 de outubro de 2014

Pequenas Mentiras, Meias Verdades: Histórias de Barbeiros


 HISTÓRIAS DE BARBEIROS

   A profissão de barbeiro é uma das mais antigas da terra. Já existiam barbeiros dois mil anos antes de Cristo e esta profissão hoje em dia ainda está na moda.
   Mesmo que muitos lugares de barbeiros tenham sido substituído pelas cabeleireiras, ainda existem os conservadores que preferem fazer seu tratamento com os barbeiros ao invés de fazer com as mulheres.
   Existiram barbeiros de todos os jeitos e tipos, entre bons e ruins e muitos enriqueceram com esta profissão.
   Quando eu era pequeno, na tardinha de sábado, a barbearia de Harmonia sempre estava lotada de homens que vinham ali fazer um tratamento facial. A gente observava isso com gosto porque via o jeito e a qualidade do barbeiro no lidar de suas ferramentas.
   Trabalho terminado, o toque final com a loção pós-barba "Acqua Welva" para perfumar o rosto e alisar a pele, um perfume de higiene que levantava naquela barbearia, denunciando que mais uma barba havia sido terminada.
   Não sei se vocês se lembram, mas antigamente o cabelo da gente era cortado em casa. Era a nossa mãe que os cortava com uma máquina zero e só deixava um penacho de franja para ter onde puxar quando a gente não se comportava. Eu levei alguns puxões nesta franja.
   Estes eram os tempos onde tudo era difícil e qualquer maneira que existisse de não se gastar se aplicava no dia-a-dia para o orçamento fechar no fim do mês. Os rapazes mais velhos, que já ganhavam seu próprio dinheiro com seu tabalho, iam então à barbearia.
   Me lembro bem do primeiro dia em que fui à barbearia para cortar o cabelo. Meu irmão mais novo, quando sentou na cadeira para cortar o cabelo, começou a chorar e não deixou cortar. Então não precisava mais deixar franjinha, e a gente podia deixar o cabelo um pouco mais comprido do que a máquina zero.
   Mas sobre barbeiros, aconteceu uma vez em Montenegro, há muitos anos, lá vivia um barbeiro que era uma pessoa muito boa, mas um péssimo barbeiro. Ele era conhecido por todos os cantos da região como "açougueiro" porque ele tirava bifes enormes do rosto de seus clientes com a navalha.
   Seus clientes eram somente do interior porque na cidade ninguém mais procurava seus serviços.
   Certo dia, chegou um cliente lá, que só tinha uma orelha. Este cliente pediu para cortar o cabelo e fazer a barba.
   No primeiro corte, o barbeiro já deixou um talho na orelha restante do cliente. Mais um corte e lá se foi um talho em sua bochecha. Mais um corte, e o nariz do cliente começou a sangrar no canto por causa de outro talho. Então, alguns cortes no cabelo, e a nuca do cliente saiu toda lanhada.
   Quando o serviço havia terminado, o barbeiro pegou o espelho para mostrar seu trabalho para o cliente.
   Num supetão, o barbeiro notou que faltava uma orelha no cliente. Então perguntou:
   - Você não me é completamente estranho! Já estiveste em ocasião aqui em minha barbearia?
   - Não! - Respondeu o cliente. - A outra orelha, a que falta, perdi num acidente.
   

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Hora da Faxina - Música




   Música 

   Música. Melodias, canções e harmonia. Quem não gosta de música? Acho que não existe alguém na face da Terra que não goste ao menos de algum tipo de música. Porque então também não vai gostar do canto dos pássaros que também são melodias. A música é sinônimo de vibração em sincronia com algum sentimento. Sempre tem um sentimento envolvido, seja alegre, triste, romântico, saudoso, heroico esperançoso ou doce, inocente.
   Todos nós durante nossa vida criamos alguma melodia nova. Mas, a maioria delas não passam daquela sessão debaixo do chuveiro ou da inspiração melódica que nos pega de surpresa, inusitadamente nas mais variadas situações. Poucos levam esta melodia adiante e a transformam em canção, ou aprimoram ela para algum instrumento musical.
   A música é um dos meios mais usados para terapias. Seja da ordem que for, ela tem seu papel e muitas vezes é o que faz a diferença. 
   Um coração partido encontra um pouco de alívio em melodias queixosas, das tantas que existem por aí, e que muitas, justamente foram criadas por quem teve seu coração partido. A dor da traição, ou a falta de um amor verdadeiro geram temas muito intensos para melodias que quase sempre se tornam em grandes sucessos.
   Quanto às melodias alegres, nem se fala. Já dá vontade de sair dançando. E tem muitas. Seja do estilo que for, sempre nos fazem ter esta vontade de afastar mesas e cadeiras e sair arrastando o pé. 
   Os títulos das músicas então, tem tantos temas interessantes que só por eles, a gente já viaja dentro da história ou do tema.
   Mas falando em título, os locutores de rádio em certos momentos também passam o seu lado 'mister M' para descobrir pedidos de ouvintes. Aconteceu há um tempo atrás numa emissora da região, que uma pessoa de origem alemã, com sotaque carregado, ligou no ar para fazer seu pedido. O locutor atendeu:
   - Bom dia! Com quem eu falo?
   - Com a 'Peatriss.' - Respondeu a voz no telefone, no ar. - Eu 'gueria betir' uma música.
   O locutor falou:
   - Sim, Beatriz, pode pedir! 
   - Eu 'guero ofereser' a música "E se Titia!"
   Silêncio no outro lado do telefone. O locutor certamente estava pensando, tentando decifrar o pedido musical. Mas não captou. Então disse:
   - Beatriz, sabe quem canta?
   - É 'agueles blandador de domate de Coiás'.
   - Áh! - Disse o locutor. - Leandro e Leonardo!
   - Isto! - Respondeu a ouvinte. - Dá 'bra docar?'
   - Infelizmente, dona Beatriz, não conheço nenhuma música desta dupla com este título. ...Não dá para a senhora cantar um pedacinho da melodia para ver se reconheço?
   E ela começou a cantar:
   - "E se Titia a xente priiiga, de noite a xente se aaaaaama!" 
   - Ah sim! - Disse o locutor morto a rir. - A senhora quer ouvir "Paz na Cama". Já vou rodar pra você.
   
   

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A Hora da Faxina: Papo Alheio



Papo Alheio

   Hoje na minha tradicional caminhada no fim da tarde tive companhia. Não comigo, mas na minha frente. Explico: na minha cidade tem uma avenida de um quilômetro de nome Osvaldo Aranha, mas todos insistem em chamá-la de reta da Vila Rica. De minha casa até o começo da reta, dá mais ou menos um quilômetro. E assim, indo e voltando, faço quatro quilômetros de caminhada. Então, quando entrei na avenida na altura do posto de saúde, acabei ficando atrás das duas mulheres. Dois metros atrás.
   As duas eram trintonas bem delineadas, braços finos, mas coxudas, vestindo blusa top e legging, com a barriguinha de fora. Deu para notar que apesar das graxinhas aparecendo discretamente na barra da cintura, malhavam sempre. Eu até quis ultrapassá-las em alguns momentos, mas só conseguiria correndo, então preferi ficar caminhando atrás delas. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a conversa entre as duas, a uma certa altura, quando já voltávamos do final da reta. Vou chamá-las de Maria e de Bea. Depois de eu ter ouvido muito sobre todas as atividades das duas, Bea disse:
   - Maria, me falaste na semana passada quando caminhamos de que o José não anda comparecendo. Melhorou ou tá morno ainda?
   - Nem me fala Bea. Tem vezes que eu acho que somos irmãos e não casados. Ele anda tão distante! ...Diz que é o trabalho dele que o deixa sem apetite e eu procuro entender, mas tá difícil viu? Não sei quanto tempo vou aguentar.
   - Você me conhece Maria, eu não douro a pílula. Então, a pergunta que não quer calar: será que não tem outra na parada? Já pensou no caso?
   - Já! Já pensei e todas as vezes em que cogito isso fico arrepiada. É uma situação muito chata isso. No sábado deixei rolando um filminho daqueles, sabe?, quando ele veio dormir, e acredita? Ele pegou no sono! Olhou um pouco e quando me dei por mim estava roncando. Nem a loira poderosa do filme conseguiu mexer com ele. Bota fadiga nisso! Pior que a culpa é um tanto minha por querer tudo dentro de casa e ele se vira nos trinta para manter tudo isso. Tem metas e metas para cumprir. Sabes que meu emprego é pra minha roupa e minha cabeleireira.
   - Claro Maria, temos este direito. Meu emprego também. Mas, minha amiga, fica experta!!! Não quero botar minhoca na tua cabeça, mas sempre é melhor minhoca do que chifre né? ...Maria, nós mulheres temos o poder e o radar para captar este tipo de atitude dos homens. Um perfume diferente, uma falta de dinheiro inexplicada, ele se arruma bem melhor do que sempre se arrumou, compra roupas novas de garotão, cuida mais do cabelo, deixa barba rala, esconde o celular, essas coisas... Não notou nada mesmo?
   - Para ser sincera Bea, a única coisa diferente que notei é que ele foi domingo de manhã na missa, coisa que ele não fazia há séculos. Então eu perguntei o motivo de ele ter tomado esta bela atitude e ele me respondeu: "To rezando para ver se viro homem!"
   - Xiiii amiga, a coisa é bem mais séria do que eu imaginava. Abafa o caso! Vamos mudar de assunto?

domingo, 12 de outubro de 2014

Hora da Faxina: Mulheres e Bolsas





   Ah, Mulheres e Bolsas.

   Por que as mulheres são tão fissuradas em bolsas? É o tipo de pergunta que nós homens fazemos já que não faz sentido para nossa percepção limitada o significado de cada bolsa no dia-a-dia das mulheres. No fim das contas, elas sempre têm o motivo certo para acrescentar mais uma bolsa em sua coleção.
   Tentando entender, vou procurar alguns motivos do porquê de as mulheres terem várias bolsas. O primeiro motivo é óbvio: a cor. A bolsa na visão das mulheres sempre tem que combinar com algo do que está vestindo. Nem que seja só para realçar aquele cinto que quebra a monotonia do vestido, a combinação fica perfeita. Então vem a pergunta: 
   - Mas por que você comprou uma bolsa amarelo ovo se não tem nenhum vestido amarelo?
   E a resposta vem num segundo, sensata e lógica:
   - Ué, porque vamos para a Praia, esqueceu? Como vou usar uma bolsa preta ou vermelha com meu biquíni de flores amarelas?
   Ah, é mesmo, o biquíni. Faltava lembrar este detalhe. Mas, em seguida, após raciocinar, vem a próxima pergunta:
   - Mas por que tem que combinar com o biquíni se você não vai entrar no mar com a bolsa?
   E mais uma vez, a resposta lógica vem num tiro:
   - Bah, se vê que vocês homens não sabem de nada mesmo!!! Já esqueceu que vou vestida com o biquíni até a praia e que a saída de praia que vou vestir sobre o biquíni para ir até lá é transparente? Dããã, o biquíni aparece e eu não vou pagar o mico de estar usando uma bolsa que não combine.
   E na mente do homem fica aquela intrigada sensação de que a mulher quis dizer: 
   - Sem discussão, tá? Olhei para a bolsa na vitrine, ela olhou pra mim e foi amor à primeira vista. O biquíni foi só o motivo para eu comprá-la.
   Enquanto isso, o homem se contenta com sua carteira toda surrada, já deformada por sentar em cima dela no bolso detrás, porta documentos puído, mas satisfeito por ter uns trocos parar preencher seus compartimentos.
   E a coleção delas continua: bolsa azul escura para combinar com aquele jeans indigo para ir no fim da tarde no shopping. Bolsa preta para usar com o vestidinho preto básico para ir na pizzaria. E outra bolsa preta bem discreta, que chame só a atenção das mulheres para quando for ao banco usando aqueles sapatos salto alto pretos bicudos e que têm a mesma fivela da bolsa. Detalhe: não foram comprados juntos, foi uma coincidência dos deuses. Ainda aquela bolsa branca pra combinar com o vestido branco na virada do ano, bolsa creme para realçar a nova tintura do cabelo e bolsa cor marfim para realçar o colar de pérolas naquele jantar especial. Ah, já ia esquecendo da bolsa cheia de palavras escritas em todos os sentidos pra usar no dia a dia porque combina com tudo, já que não tem cor definida e é simples, sem detalhes, somente as letras.
   É meus amigos homens. Nunca pergunte a elas o motivo de ter comprado uma bolsa porque antes de elas comprarem a bolsa elas vão procurar o motivo para comprá-las. 
   Por isso que admiro as mulheres, seu jeito único de viver que quando observamos mesmo, sempre encantam. Mulheres, continuem comprando bolsas. Só faz bem!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Hora da Faxina: Ciúmes




   Ciúmes

   O que leva uma pessoa a ter ciúmes? No meu modo de pensar acho que há diversos fatores que levam alguém a ter ciúmes. Talvez o que mais se destaca é a insegurança em não conseguir manter a situação sob seu controle. Então entra o ciúme como arma de defesa. 
   Outro fator que leva alguém a ter ciúmes é o medo em perder aquela pessoa, posição social ou objeto para outra pessoa. Então para se garantir, desencadeiam ciúmes tentando manter seu lado superior nestas situações. Quanto a posição social ou objetos, o ciúme não faz estragos, afinal é somente uma forma de garantia de possessão. Também é uma forma de manter os pretensos candidatos a alcançarem estas situações a uma distância administrável.
   Agora, ter ciúmes de pessoas é algo terrível. Porque mexe com sentimentos. Seja na forma que for, sempre causa estragos. Como pais terem ciúmes de filhos ou vice-versa, acaba cortando no relacionamento partes que pudessem agregar muito mais vantagens se não houvesse ciúme. O mesmo acontece entre irmãos ou amigos. A distância entre ciúme e inveja neste caso é muito pequena. Também pode evoluir de uma situação para a outra.
   Mas a pior situação de ciúme é esta que dá a impressão de que existe uma relação de posse entre as pessoas. Ciúme entre marido e mulher e vice-versa. Quantos relacionamentos deixam de existir diariamente por causa deste sentimento? Quantas pessoas perdem a vida por causa do ciúme? Com certeza é um número grande. E o fato é que simplesmente o ciúme faz parecer a quem o tem, que seja dono ou proprietário de quem tem ciúme. Deixa de ser algo inseguro e se torna uma forma doentia de tentar manter sob controle ou domínio um ser humano. Chega a ser ridículo ouvir os argumentos de quem tem ciúmes porque tenta de todas as maneiras dizer as razões, os motivos para ter este comportamento. 
   A verdade é de que quem não tem competência para manter uma conquista amorosa, quem não tem sentimento puro e sublime de carinho e amor por sua parceira ou parceiro, quem só tem o sentimento unilateral, sempre a seu favor, de dominar alguém se faz passar por ciumento. É uma forma de subjugar alguém com a alegação de que a pessoa se comporta de uma maneira que faz ter ciúmes. Ora, que balela! É conversa pra boi dormir porque quem ama consente. Quem ama liberta e não prende. Quem ama de fato quer ver o parceiro ou a parceira evoluir na vida em todos os sentidos, mesmo que isto envolva situações que possam dar a impressão de que haja motivos para ter ciúmes.
   As pessoas que têm ciúmes geralmente não são felizes porque se sobrecarregam com compromissos para si, no sentido de controlar todos os passos da companheira ou companheiro para que não fujam do seu controle. Um desgaste estúpido que não leva a nada porque quem está sob a redoma do ciúme vai criando lentamente seu campo de liberdade e com certeza quando puder ficar novamente em pé vai dar um belo chute na bunda de quem é possessivo e não permite muitas vezes a outra pessoa sequer respirar, quem dirá olhar para os lados. 
   Portanto, se você é uma pessoa ciumenta, reveja seus conceitos porque a vida prova  que pessoas ciumentas sempre acabam sozinhas, amargas, sem amigos e envelhecidas antes do tempo por causa do desgaste desnecessário.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Hora da Faxina: Afinidades



Afinidades

   É tão interessante a maneira como acontecem afinidades com certas pessoas em nossas vidas. Simplesmente têm pessoas que nascem para num determinado momento cruzarem nossas vidas, entrarem nelas e começarem a fazer parte, numa totalidade de interesses e complementos indescritíveis. Dali surgem amizades que vão para toda a vida, surgem parcerias que fazem ambos crescer, surgem somas, complementos, que fazem surgir coisas ou sabores novos, maravilhosos, fazendo também com que os dois evoluam. Surgem também relacionamentos amorosos, os quais vão durar uma vida inteira.
   É incrível este sentimento. E ele não oferece escolha. Ele acontece. De um dia para o outro encontramos pessoas em nossos caminhos que vão ser estes elementos indescritíveis, pois nos fazem bem, a gente gosta da companhia e tem sempre o desejo em fazer esta pessoa ir bem, seguir em frente para melhores oportunidades e resultados. Pessoas assim também são importantes para nós, pois se nós temos este desejo, eles ou elas também tem este desejo em relação a nós.
   Do mesmo jeito, entram pessoas em nossas vidas com quem não conseguimos ter empatia. Sua presença nos faz mal, a gente não vê a hora de se afastar destas pessoas. Mesmo que não tenham feito nada, não tenham nada de errado, elas nos fazem ter sentimentos de rejeição. As pessoas geram desconforto, a gente até não trata bem, porque não consegue alimentar um bem-estar junto com estas pessoas, ou desenvolver uma simpatia nesse contato.
   E a vida é muito pródiga, pois nos apresenta muito mais pessoas por quem desenvolvemos simpatia do que pessoas que nos causam desconforto nos contatos. A verdade é que nossas atitudes geram aproximações. Boas ou ruins. E mesmo a gente não querendo, fica sempre envolvido com estes contatos. Porém, o mais importante é a gente poder somar alguém em nossa vida e a partir dali, criar um vínculo único de amizade, que vai se solidificando e criando uma estrutura que faça ambos crescerem. E é maravilhoso ter um sentimento de amizade profundo por algumas pessoas mais próximas a nós, afinal, nossa vida é construída em cima de altos e baixos, onde neste meio, as amizades são o cimento que fazem esta estrutura não abalar. 
   Tenhamos muita afinidade com muitas pessoas! Faz bem e nos mantém firmes quando mais precisarmos de amparo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A Hora da Faxina: Envelhecer com Qualidade



 Envelhecer com Qualidade

   Chega um momento na vida das pessoas onde nem tudo é mais tão dinâmico e fácil como foi há pouco tempo. E não existe uma idade certa para se dizer quando a pessoa está velha. Depende muito de cada um. O fato é que dificilmente esta idade não é acompanhada de óculos, alguns pivôs e remédios diários. 
   Estas são formas físicas de dizer que o organismo não é mais o mesmo e que ele precisa destes acessórios. Algumas pessoas, além disso ainda precisam de outros recursos para andar para dentro da velhice. Mas o que todos almejam mesmo, é envelhecer com qualidade. Caminhar no mundo dos netinhos com qualidade para compartilhar suas vivências é muito gratificante, pois o próprio andamento deste modo de viver faz o idoso se sentir menos velho.
   Mas, como se envelhece com qualidade?
   Parece uma pergunta difícil de responder. Mas foi justamente um amigo meu, na altura de seus 86 anos de lucidez, sabedoria e qualidade de velhice quem me deu esta resposta em apenas uma frase:
   - "Só realmente envelhece quem tem medo de acompanhar a tecnologia!"
   Ele é o tipo moderninho, conhece até whatsapp. Pra ele pendrive é um velho conhecido seu, e marcar passagem aérea para Portugal onde moram suas filhas via internet é brincadeira de criança. Ainda dirige seu carro com o cuidado de um garoto de dezoito anos que a recém começou a dirigir e seu conhecimento sobre história e geografia universal é invejável.
   Mas a frase que ele me disse ficou me martelando na mente. Comecei a singrar meus amigos velhos e seus acertos ou desacertos com a tecnologia e eis que descobri a grande verdade na frase profética deste meu amigo. Afinal, relembrando o comportamento das pessoas eu consegui formar um mapa de velhos acabados e velhos entusiastas. O que os diferenciava? Justamente a tecnologia. Aqueles que viam o computador como um bicho papão e ainda usavam máquina fotográfica de filme, justamente eram os que tomavam mais medicamentos e mais frequentavam médicos. 
   Por outro lado, amigos e amigas que tinham seu telefone de tela sensível, que levavam seu tablet junto nas viagens às termas e que compravam vinhos finos via internet, justamente eram pessoas saudáveis, com ânimo nos altos de sua velhice e que tinham gosto em compartilhar suas histórias com quem perguntasse ou quisesse ouvir. E mais: faziam hidroginástica, pilates, e não abriam mão de um copo de vinho ou uma lata de cerveja por dia. Misteriosamente estes velhos não contraem Parkinson ou Alzheimer, tem memória privilegiada e dão prazer em sua companhia porque não vivem se queixando de problemas de saúde. Ninguém gosta de ouvir só queixas.
   Eu já sei o que fazer para continuar caminhando em minha vida com qualidade: ser curioso e tentar sempre aprender com as novidades que vão surgindo. Comprovei a lição do meu amigo e agora também almejo chegar aos 86, se tiver esta graça e privilégio, dando aula de conhecimento e mostrando saúde e vitalidade. Não tenho medo da tecnologia e vou ter sempre as novidades em meu uso diário. 
   E você? Já descartou sua máquina fotográfica de filme? Tá na hora. O tempo não perdoa.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Hora da Faxina - O Suicida Covarde





O Suicida Covarde

Conheci quando criança um cara, que tinha crises psicóticas e nestas crises, tinha sentimentos suicidas. Mas era um suicida patético porque não tinha coragem em se matar. Somente arranjava o cenário completo para amedrontar todos ao seu redor, mas o desfecho de sua intenção nunca acontecia. Eu era criança na época, mas convivi com estes seus momentos porque ele era casado com uma parente nossa e portanto, era amigo do meu pai. E meu pai sempre dizia que ele nunca iria se matar porque era muito covarde para isso.
Uma destas cenas que ele protagonizou foi em Harmonia, lugar onde eu morava e por onde também passa o rio Caí. Só que lá o rio faz uma curva de quarenta e cinco graus, bem dizer um cotovelo, barrado por um paredão de basalto de mais de quarenta metros de altura. E ali, nesta curva as águas são profundas e várias pessoas já morreram afogadas presas entre os galhos das árvores que foram se avolumando em seu poço. E justamente em cima daquele paredão certo dia o José (nome fictício) foi fazer acampamento para uma hora se decidir jogar lá de cima para a morte. Ficou uma semana inteira com sua psicose corroendo seus miolos, criando coragem para se jogar lá de cima. Parentes dele levavam comida e água para ele lá, já que se negava a sair dali. E toda vez em que alguém chegava lá com ele, se posicionava perigosamente na beirada do perau ameaçando se jogar. Mas sem coragem, não se jogou. Depois daquela semana, com ele dormindo no relento, sem banho, sujo fedendo, chamaram meu pai para tentar dissuadi-lo da ideia de se jogar lá de cima.
E meu pai conseguiu mudar a ideia dele, voltando junto com ele até nossa casa, tomando um banho e pegando roupas emprestadas do pai para se vestir. No dia seguinte foi embora e voltou aqui pro Caí, onde ele morava. Durante meio ano, era verão, ele ficou normal, seguindo sua vida. 
Eis que no inverno, friozão, ele veio visitar meu pai. Como sempre passou a noite conosco, com sua tosse asmática e seus roncos leônicos, acordando a todos nós, crianças, temendo que ele viesse nos amedrontar. No dia seguinte levantou, tomou café e pegou o ônibus para voltar ao Caí. Na época a travessia era feita na barca que havia. O ônibus desembarcava os passageiros na barranca do rio e seguia viagem até Montenegro. José estava entre eles. Quando todos estavam sobre a barca ela foi puxada para a outra margem no braço de 4 homens que puxavam com paus que tinham um corte, encaixando num cabo de aço que atravessava o rio entre margens e assim deslocavam a barca. 
Chegando no meio do trajeto, rio de águas sujas, havia chovido, José tirou primeiro seu sobretudo, dobrou e colocou no piso da barca. Depois tirou seu chapéu de feltro e deitou de cabeça pra cima sobre o sobretudo. Tirou o óculos fundo de garrafa, era míope, dobrou e colocou dentro do chapéu. Então, olhando para a torre da igreja matriz, abanou e gritou:
- Adeus meu São Sebastião do Caí!
E, tchibum, se atirou nas águas barrentas afundando que nem um saco de batatas. Um barqueiro vendo isto, largou a madeira e se atirou atrás do homem naquelas águas geladas, trazendo-o de volta para a barca. Os dois tiritando de frio, o barqueiro deu um tablefe na cara do José e gritou irado:
- Da próxima vez em que se jogar não o salvo mais, vou deixá-lo se afogar.
E José, choroso reclamou:
- Mas era isso que eu queria!
E o barqueiro berrou de volta:
- Então faz isso um dia sozinho e não numa barca cheia de gente!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pequenas Mentiras, Meias Verdades - Os Chifres



Os Chifres

Ser infiel no casamento é algo que acontece muito mais do que a maioria das pessoas imagina. Antigamente era algo inerente aos homens casados. Eles traíam as mulheres, as vezes até diante de seus olhos, e para criarem os filhos no sistema de harmonia, toleravam e viviam sob a traição sem dizerem nada. Eram sempre mulheres tristes, as quais muitas vezes adoeciam fazendo seus maridos gastarem bastante com médicos em sua recuperação.
Mas hoje em dia as coisas não são mais bem assim. Existem certas mulheres que traem muito seus maridos. Muitos homens vivem a vida inteira e não têm noção de que a mulher está fogueteando por aí. O marido está no emprego, se mata trabalhando, e a mulher deita em sua própria cama com outros homens.
Traições ocorrem hoje em dia mais ou menos do mesmo jeito na cidade como no interior. Talvez até as mulheres do interior estejam fogueteando mais que as da cidade.
Então aconteceu numa cidadezinha perto daqui. Havia um casal já casado há vários anos, tinham 4 filhos grandes criados entre quinze e vinte anos. A mulher tinha quarenta anos de idade. Mas, se passava com todos os homens. E seu marido já sabia disso há tempo, mas por ser muito apaixonado por ela, achava que não conseguiria viver sem ela. Os anos e os dias andaram, a mulher traindo e ele aceitando.
Porém, chegou o dia em que sua esposa o traiu com o melhor amigo. Isso foi demais para ele. Ficou numa dor muito profunda pelo ato em si. Ele ficou sem rumo.
Então ele foi até a casa do cunhado para se queixar. Talvez ele pudesse ajudá-lo já que estava sendo traído pela sua irmã.
Quando ele chegou na casa do cunhado, o mesmo estava lá fora parado na área. O coitado do traído, chorão, chorava como uma criança. Então o cunhado perguntou:
- Ué Willi, tá parecendo um miserável! Vem, vamos entrar em casa, faço uma água com açúcar pra você, então me conta o que está acontecendo.
- Não posso entrar Lando! - Respondeu o choroso Willi. - Meus chifres estão tão grandes que não consigo atravessar a porta. Me trás a água com açúcar aqui fora mesmo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A Hora da Faxina - A Mala





 A Mala

   Pois é, como dizia Carlos, um amigo meu, a respeito deste apetrecho tão necessário para viajar: 
   - Há malas que vem para o bem. A gente sente sua falta verdadeiramente quando é extraviada na conexão e você chega no destino somente com a cueca do corpo. Então se dá conta, quando vai no banheiro, que ela está com um freio tão grande que parece que parou de repente, quando o pum estava a cem por hora.
   Eu achei muito engraçado, apesar do momento aflitivo de meu amigo. Então perguntei:
   - E como resolveu o problema? Recebeu a mala de volta?
   - O jeito foi ir à loja e comprar ao menos três cuecas novas já que a companhia aérea deixou informado no hotel que em três dias teria minha mala de volta.
   - Foi o que fez? - Perguntei. Carlos respondeu:
   - Não no mesmo dia. Já era passado das 22 horas quando cheguei no hotel, não tinha mais loja aberta. As lojas lá na cidade fecham às 22 horas. O jeito foi tomar um banho bem demorado, gastar meio sabonete daqueles amostra de hotel na bunda para assear e aliviar o assado que deu e vestir só o pijama. Gastei o resto do sabonetinho tentando lavar para 'destravar' a cueca mas ficou aquela linha ali, me acusando de mal asseado. - E arremedou: - Eu juro que nunca mais compro cueca branca. Daqui pra frente todas vão ser marrons!
   Tive que rir alto desta vez. Carlos sempre foi assim: direto, sem papas na língua. E enquanto eu ria ele continuou:
   - Vai rindo! Um dia vão também extraviar tua mala no aeroporto. Aí eu vou rolar em cima do teu azar! 
   - Desculpe Carlos, mas do jeito como contas as coisas é muito engraçado. Fico imaginando a cena hahaha. 
   Ele continuou:
   - Por falta de cueca ainda passei uma noite horrível. Acordava toda hora, sentindo como meu pintinho estivesse dormindo no relento, sem casinha, desacomodado.
   Eu comecei a rir desenfreadamente. Carlos era muito engraçado. E ele, olhando sério para mim, esperou eu parar de rir para continuar falando:
   - Faz um dia a experiência você também, para ver como é estranho dormir só de pijama, sem cueca!
   Quando me acalmei, estava com a barriga doendo de tanto rir, perguntei:
   - Então, foi no dia seguinte comprar cuecas?
   - Sim, disse ele. E uma muda de roupas vagabundinha para não gastar muito. Não podia aparecer todo dia no hall do hotel com a mesma roupa né? Os hóspedes não sabiam que haviam extraviado a minha mala e eu não queria começar a dar explicações por estar com a mesma roupa todo o dia.
   - Verdade! - Disse eu. - E encontrou roupa baratinha?
   - Sim! Mas cuecas baratas só encontrei vermelhas. Fazer o que? O jeito foi exagerar na salada de beterraba para se caso ocorresse novo acidente não ficar tão na vista.
   Novamente tive que rir. E Carlos continuou sério. Eu já com pena dele, mas ainda rindo disse:
   - Bom, pelo menos no terceiro dia da viagem recebeste tua mala de volta?
   - Recebi sim! - Respondeu. E eu, debochando disse:
   - Deve ter sido um encontro e tanto, afinal, tu e a mala novamente se encontraram, depois de uma separação forçada.
   Ele respondeu acabrunhado:
   - Mas foi a mala errada. Só tinha 5 vestidos, um pacote de absorventes, dez calcinhas e um par de tênis com as meias colocadas dentro deles. Fui olhar na etiqueta o nome e lá estava escrito: Carla S. Confundiram comigo. Então eu fiquei imaginando o que esta tal de Carla S deve ter pensado de mim ao abrir minha mala e ver que além de minha roupa estava lá junto meu ursinho de pelúcia.