quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Hora da Faxina: A Manteiga



A Manteiga

   Antigamente as coisas eram bem diferentes das de hoje em dia.  A maioria das pessoas moravam na colônia e iam dormir com as galinhas e acordavam com os galos para passarem o dia na roça trabalhando. A alimentação deles era feita na própria roça, sendo muitas vezes o cardápio de pão com linguiça. Refeição mesmo era feita de noite, com um jantar bem preparado.
   Havia aquelas moças que saíam de casa e iam trabalhar na cidade grande como empregadas domésticas e babás. Algo que fazia com que elas pudessem seguir seus estudos e também adquirir práticas e costumes de gente da cidade como etiqueta e classe, e ainda o bom gosto em se vestir. E quando elas voltavam para o interior para visitar a família, as pessoas da comunidade ficavam vendo aquele jeito diferente de ser e comentavam entre si:
   - Esta já cagou no vaso. Agora ninguém mais vai aturar seu modo de ser.
   A expressão queria dizer que a garota tinha deixado de usar as capungas do interior para usar um banheiro decente. Mas o comentário das comadres era pejorativo.
   As pessoas mais importantes daquelas picadas eram o padre ou pastor e o professor.  As famílias os tinham como pessoas muito importantes, os quais eram dignos de admiração pelo estudo que possuíam, pelo grau de conhecimento que passavam. Poder então, convidar um dos dois para um almoço de domingo, ou um jantar especial, sempre era uma honra sem tamanho.
   A alimentação naquela época, no interior da colônia era controlada para que fosse o suficiente para suprir aa família durante o ano inteiro, principalmente no tempo da  escassês.  Mas numa visita destas ilustres pessoas, se permitiam o luxo de apresentar uma mesa bem farta.
   Foi o que aconteceu quando o professor Frederico foi convidado pea família Sommer para um jantar. Eles se esforçaram para juntarem o melhor de casa para lhe oferecer: pão de milho, ovos cozidos, manteiga, schmier de cana e um café bem mais forte do que o costumeiro naquela casa. Os filhos haviam sido recomendados para que moderassem naquele bolinho pequeno de manteiga feito com muito esforço a partir de uma porção de litros de leite que deixaram de ser comercializados.
   Chegou o dia do jantar. Na hora, depois de muita conversa sobre diversos assuntos, sentaram à mesa e depois de tudo posto, começaram a comer. A primeira coisa que o professor fez foi pegar uma fatia de pão e cobrir com uma generosa camada de manteiga, depois schmier. Os familiares ficaram se entreolhando, os filhos morrendo de vontade de copiar a atitude do professor, mas se contiveram.
   O jantar foi andando e a cada fatia de pão, o professor cobria mais e mais seu pão com manteiga. Até que os Sommer se entreolharam, pois os filhos estavam seguindo o comportamento dele, e a anfitriã falou:
   - Professor, isto é manteita!
   O professor engrolou um "aham" e continuou se servindo.
   Depois que quase a manteiga tinha terminado, e o professor se serviu mais uma vez, a anfitriã falou de novo:
   - Professor, sabe que isto aí é manteiga, não é?
   E o professor continuando concentrado em passar aquele resto da manteiga no pão respondeu:
   - Eu sei que isto é manteiga! Justamente é ela que eu gosto de comer!

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